Monte das Oliveiras: O Portal Entre o Céu e a Terra
- Thais Riotto
- há 4 horas
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Onde o Céu Beija Jerusalém
Há um ponto em Jerusalém onde o vento sopra diferente.Ele vem carregado de orações antigas, cânticos e lágrimas de fé.Esse lugar é o Monte das Oliveiras, uma elevação sagrada que vigia a Cidade Santa há milênios.
Seu nome vem das oliveiras que cobrem suas encostas árvores de paz e eternidade.O Monte ergue-se como um elo entre o terreno e o divino, onde o tempo parece suspenso e a história conversa com o espírito.
Dali, é possível ver Jerusalém como um espelho dourado ao amanhecer — um cenário que, segundo as tradições, testemunhou alguns dos momentos mais profundos da vida de Jesus.
O Monte nas Passagens de Jesus
Nenhum outro lugar fora de Jerusalém carrega tantos ecos da jornada de Cristo.O Monte das Oliveiras é palco de cenas que moldaram a fé cristã e a espiritualidade do Ocidente:
A Entrada Triunfal em Jerusalém — Jesus desce do Monte montado em um jumento, enquanto o povo o recebe com ramos de oliveira e cânticos de “Hosana!”.
O Getsêmani — ao sopé do Monte, Jesus vive sua noite de angústia e entrega. É o local onde ora em silêncio, suando gotas de sangue, antes de ser traído e preso.
A Ascensão — nas tradições cristãs, foi no alto do Monte que Jesus ascendeu aos céus, abrindo o portal entre o humano e o divino.
O Discurso Profético — no Evangelho de Mateus (capítulos 24–25), Jesus fala sobre o fim dos tempos, convidando à vigilância e à fé — um ensinamento que vibra até hoje nas pedras e ventos do Monte.
O Monte das Oliveiras é, assim, um santuário vivo, onde o caminho físico é também o caminho interior do ser.
Um Lugar Sagrado para Três Mundos
O Monte das Oliveiras é um raro ponto onde três tradições religiosas se entrelaçam:
Para os Cristãos, é o cenário da oração, da entrega e da ascensão o local onde Cristo revelou a face humana da divindade.
Para os Judeus, é o monte da esperança messiânica. Crê-se que, quando o Messias vier, será ali que a ressurreição começará. Por isso, o local abriga um dos cemitérios mais antigos e sagrados do mundo.
Para os Muçulmanos, é um espaço venerado, parte da geografia espiritual que conecta Jerusalém à fé islâmica, guardando histórias compartilhadas.
Essa convergência faz do Monte das Oliveiras um campo de unidade espiritual, onde a fé não se divide ela se multiplica.
A Simbologia da Oliveira — Raiz da Paz
As oliveiras que crescem há séculos nas encostas são testemunhas silenciosas da história.
Suas folhas simbolizam paz, sabedoria e resistência, e o azeite extraído de seus frutos é usado há milênios em ritos de unção e purificação.
Na tradição mística, a oliveira é a árvore da alma perseverante aquela que floresce sob o sol intenso e resiste à aridez do deserto.
Cuidar de uma oliveira, colher seu fruto, ou apenas repousar sob sua sombra, é um gesto de comunhão com o tempo e com o espírito da Terra.
A Energia do Monte — Onde a Vigília se Torna Luz
Peregrinos, monges e buscadores descrevem o Monte das Oliveiras como um campo energético de vigília espiritual.
É um lugar que desperta o coração e silencia a mente onde cada passo ecoa uma prece.
Energia da Entrega — no Getsêmani, sente-se uma força que convida à rendição, à confiança no divino mesmo nas horas sombrias.
Energia Profética — há quem sinta no ar uma vibração de revelação, como se o tempo terreno se abrisse para o eterno.
Energia de Morte e Renascimento — o cemitério judaico e as capelas cristãs lembram que vida e morte dançam lado a lado, em promessa e transformação.
Não há medidores para essa energia apenas o coração pode percebê-la.Ela é o eco da fé que o habita há séculos e o transforma em um portal vivo entre o céu e a Terra.
Locais Místicos do Monte
Cada canto do Monte das Oliveiras é um fragmento de eternidade. Entre os mais sagrados estão:
O Jardim do Getsêmani, com oliveiras antigas e silenciosas, onde Jesus orou antes de ser preso.
A Igreja das Nações, um templo de pedras e vitrais que guarda o local tradicional da agonia de Cristo.
A Capela da Ascensão, marcada como o ponto onde Jesus teria subido aos céus.
O Cemitério Judaico, que se estende pelas encostas como um mar de pedra e fé, símbolo da esperança na ressurreição.
Caminhar por esses lugares é como percorrer os capítulos de um livro sagrado escrito não com tinta, mas com espírito.
Ritual e Conexão — Como Vivenciar o Monte
Para quem visita o Monte das Oliveiras em busca de experiência espiritual, há práticas simples e profundas:
Silêncio no Getsêmani — sente-se entre as oliveiras e permita que o som do vento conduza suas orações.
Unção com Azeite — toque um pouco de azeite nas têmporas ou nas mãos, simbolizando a união com a sabedoria da Terra.
Leitura do Discurso do Monte — leia Mateus 24–25 e medite sobre o tempo e a fé.
Caminhada entre os Túmulos — percorra o cemitério em silêncio, refletindo sobre o ciclo da vida e a promessa da renovação.
Cada gesto é uma forma de conversar com o invisível e deixar-se transformar pela energia do lugar.
Entre a História e o Mistério
O Monte das Oliveiras é, ao mesmo tempo, um fato histórico e um mito vivo.
É documentado nas Escrituras e em crônicas antigas, mas também habita o coração dos que o visitam como símbolo de elevação espiritual.
Religiosamente, é um eixo da fé; energeticamente, é um centro de revelação.Nem ciência nem teologia conseguem contê-lo por inteiro porque o Monte é, acima de tudo, uma experiência.
E experiências, quando sagradas, são para ser sentidas, não explicadas.
O Chamado do Monte
Ao pôr do sol, quando as sombras de Jerusalém se alongam, o Monte das Oliveiras silencia.
E nesse silêncio, o viajante escuta algo profundo a mesma voz que falou com os profetas e confortou Jesus na solidão. O Monte das Oliveiras é o Chakra da Voz do Mundo, o espaço onde a palavra divina se manifesta na Terra.Quem o visita, raramente volta igual.
Pois ali, entre as oliveiras e o vento, a alma recorda sua própria oração esquecida.
Visite o Monte das Oliveiras ao amanhecer ou ao entardecer os horários em que o sol toca as pedras douradas e a cidade abaixo parece respirar junto com o céu.
Traga respeito, silêncio e uma intenção pura. O Monte responderá não com palavras, mas com presença.






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