Especial Iemanjá (02/02) - Do Útero das Águas Africanas ao Trono do Oceano: A História de Iemanjá
- Thais Riotto
- há 1 dia
- 3 min de leitura

ÁFRICA
Iemanjá nasce muito antes do nome Brasil existir.
Ela surge nas terras africanas, entre os povos iorubás, como Yemọjá, “a mãe cujos filhos são como peixes”.
Ali, ela não era ainda a senhora do mar aberto, mas a grande mãe das águas doces, ligada aos rios, às fontes, à fertilidade e à origem da vida. Era o útero do mundo, o ventre primordial de onde tudo escorre e se renova.
Conta-se que Iemanjá carregava em si a força da criação. De seus seios brotavam rios, e de seu ventre nasciam orixás e caminhos. Onde ela passava, a terra aprendia a florescer.
Mas também trazia o poder do transbordamento: quando ferida, reprimida ou esquecida, suas águas cresciam, rompiam limites e lembravam aos homens que a natureza não aceita aprisionamento.
Com o tempo, mitos narram que Iemanjá deixou os rios e encontrou o oceano. Ao tocar o mar, ela se expandiu.
O que antes era corrente virou imensidão. Suas águas doces se misturaram às salgadas e ela se tornou senhora dos mistérios profundos, guardiã do que é visível e do que permanece oculto. O mar passou a ser seu grande espelho emocional: calmo quando acolhe, revolto quando precisa ensinar.
Séculos depois, arrancados de sua terra, os povos africanos atravessaram o Atlântico forçados, acorrentados, mas não vazios. Trouxeram consigo seus orixás, suas memórias e seus cantos.
No balanço violento dos navios negreiros, muitos pediram proteção a Iemanjá. Para eles, o mar deixou de ser apenas caminho de dor e se tornou também útero de resistência, onde a mãe d’água acompanhava cada lágrima, cada reza silenciosa.

BRASIL
Ao chegar ao Brasil, Iemanjá encontrou novas paisagens, novos nomes e novas formas de culto.
Foi reconhecida nas águas salgadas, nas praias infinitas, nos ventos que sopram histórias antigas.
Aqui, ela se tornou Rainha do Mar, sem perder sua essência de mãe. No sincretismo, vestiu mantos católicos, foi associada a Nossa Senhora, mas continuou sendo Iemanjá: forte, amorosa, exigente, acolhedora.
O povo brasileiro a abraçou porque reconheceu nela algo profundamente humano:
A mãe que acolhe,
a mulher que protege,
a força que acalma e também corrige.
O mar, sob seu domínio, passou a representar o inconsciente coletivo, as emoções profundas, os mistérios da vida e da morte.
É por isso que se entrega flores às suas águas: não apenas como oferenda, mas como gesto de confiança. Quem entrega algo a Iemanjá sabe que ela pode devolver em forma de bênção ou ensinar através das ondas.
Iemanjá é considerada a Rainha das Águas e do Mar porque governa o fluxo da vida. Tudo nasce na água, tudo retorna a ela.
Ela reina não pela imposição, mas pela presença. Está no vai e vem das marés, no silêncio do fundo do oceano, no choro que limpa a alma e no abraço que consola.
No Brasil, ela se tornou mais do que um orixá: virou símbolo cultural, espiritual e afetivo.
Em cada 2 de fevereiro, em cada oferenda lançada ao mar, em cada oração feita diante das ondas, Iemanjá continua atravessando oceanos, não mais em navios de dor, mas no coração de quem reconhece que, sem a água, não há vida, e sem a mãe, não há caminho.
Um pedido especial:

Quando forem fazer oferendas ou dar presentes para Iemanjá, lembrem-se que ela é protetora das águas, do mar. Levem presentes que possam ser dissolvidos pelos oceanos sem causar danos.
E o barco, também que seja de um material que dissolva rápido ou folhas de árvores que fazem parte da natureza.
DICAS DE OFERENDAS/PRESENTES
Flores,
Conchas do mar,
Pedras,
Cristais e outros que não seja prejudicial aos oceanos.





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