Entre Crateras e Segredos: O Portal Lunar do Cerrado
- Thais Riotto
- há 3 horas
- 3 min de leitura
Local: Chapada dos Veadeiros/GO

No coração vibrante do Cerrado brasileiro, escondido entre trilhas, cristais e ventos de cura, encontra-se um lugar onde a Terra parece ter sonhado com outros mundos.
O Vale da Lua, na mística Chapada dos Veadeiros, repousa no município de Alto Paraíso de Goiás, próximo à pequena e encantada vila de São Jorge.
Ali, a poucos quilômetros da GO-239, uma curta trilha conduz o viajante a um cenário que faz a alma acreditar que pisou em solo extraterrestre.
Um Cenário que Pertence à Noite Estrelada
O primeiro olhar é de espanto silencioso. O leito de pedra acinzentada, marcado por crateras, caldeirões e curvas lisas, parece ter sido moldado pela própria Lua.
É o Rio São Miguel quem canta entre as rochas, deslizando por caminhos escuros e formando piscinas naturais onde a luz dança como se refletisse um outro céu.
De certos ângulos, o visitante jura estar caminhando sobre a superfície de um planeta longínquo e talvez, de certo modo, esteja.
Histórias Guardadas em Rocha Ancestral
O que seus olhos contemplam é muito mais antigo do que qualquer memória humana.
As pedras da Chapada dos Veadeiros carregam centenas de milhões até bilhões de anos de história.
Foram sedimentos que o tempo depositou, comprimiu e transformou em rocha. Depois, a Terra se moveu, ergueu e expôs essas camadas para que o vento, a água e a eternidade pudessem escrever o restante da obra.
Assim, nasceu o Vale da Lua como se o tempo, paciente artesão, tivesse esculpido um poema mineral para ser lido apenas pelos que ousam se aproximar.
A Arte da Água — O Escultor Invisível
Nada aqui foi criado de forma rápida. O Rio São Miguel, em seu fluxo sagrado, trabalhou como escultor por eras incontáveis.
Gota após gota, corrente após corrente, ele dissolveu o cimento mineral das rochas, escavou fendas, poliu superfícies e desenhou crateras perfeitamente arredondadas lembrando as marcas de meteoros caídos num solo lunar.
Tudo o que existe hoje foi talhado pela erosão, pela abrasão e pela delicada persistência da água.
O Vale da Lua é a prova de que a Natureza cria arte com a paciência de um mestre.
Mistérios e Encantamentos do Vale
Seu nome nasce do óbvio encantamento: quem o vê sente estar caminhando na Lua.
Suas piscinas, escondidas entre curvas, são bálsamos para o calor do Cerrado um convite ao mergulho, mas também ao silêncio.
Em épocas de seca, o desenho das rochas se revela com mais nitidez; no período de chuva, a água canta e renova seu templo.
Muitos visitantes dizem sentir ali uma energia diferente como se o lugar fosse um ponto de passagem entre dimensões.
Chegar, Ver, Sentir e Honrar
A caminhada é curta, acessível e convida ao despertar dos sentidos.Mas há regras não escritas que todo viajante intuitivamente percebe:
Pise com respeito é um solo vivo. Toque com reverência é pedra que já viu o mundo nascer e renascer.
Não leve nada além da experiência o Vale devolve apenas a quem o contempla com o coração desperto.
A preservação do local depende de gestos pequenos: evitar lixo, não riscar as rochas, seguir os caminhos marcados e honrar o silêncio do lugar.
Para Quem Ouve o Chamado
O Vale da Lua é mais que um destino. É um portal.
Alguns vão pela beleza, outros pelas águas, outros pelo mistério.Mas todos saem com a certeza de que caminharam por um pedaço da eternidade uma fresta onde o cosmos tocou a Terra.
Se você for ao entardecer, quando a luz dourada acaricia as rochas, poderá ver as sombras dançarem como se a Lua, invisível ainda no céu, já estivesse ali…observando quem ousa atravessar seu vale.






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