Corais Negros
- Thais Riotto
- há 11 horas
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O que são os corais negros
Os corais negros, pertencentes à ordem Antipatharia, formam um grupo singular de cnidários conhecidos principalmente pelo esqueleto escuro que lhes dá nome.
Esse esqueleto, composto por um material proteico semelhante à quitina, apresenta tonalidades que variam do marrom profundo ao preto intenso, criando um contraste marcante com os pólipos vivos que podem assumir cores vibrantes como laranja, verde, amarelo ou branco, dependendo da espécie.
Presentes em diversos oceanos do mundo, esses corais habitam desde regiões rasas até profundidades onde a luz quase não alcança, desenvolvendo adaptações que os diferenciam amplamente da maioria dos corais tropicais.
Formação e crescimento
A formação de uma colônia de coral negro tem início quando uma larva, chamada plânula, procura um substrato firme para se fixar, como rochas ou estruturas duras no fundo do mar. Após essa fixação, a larva se transforma em pólipo, iniciando a produção gradual do esqueleto escuro que serve como base para o crescimento da colônia.
O desenvolvimento ocorre por brotamento, processo no qual novos pólipos surgem a partir de outros, expandindo a estrutura tridimensional. Alguns táxons também realizam reprodução sexual, liberando ovos ou espermatozoides que geram novas larvas capazes de colonizar áreas distantes.
A taxa de crescimento é extremamente lenta. Em espécies documentadas na Nova Zelândia, como Leiopathes e Antipathes, o crescimento pode variar de apenas 10 a 100 micrômetros por ano, enquanto outras, como Antipathella, podem atingir dois a três centímetros anuais, demonstrando grande variação entre linhagens.
Longevidade extraordinária
Uma das características que mais impressionam nos corais negros é a longevidade. Estudos demonstram que algumas colônias podem viver séculos e até milênios, tornando-se alguns dos organismos mais antigos do planeta.
A espécie Leiopathes glaberrima já foi datada com mais de quatro mil e duzentos anos, enquanto colônias neozelandesas analisadas por radiocarbono apresentaram idades aproximadas de três mil anos.
Essa idade avançada transforma cada coral negro em uma espécie de arquivo natural, armazenando em seus anéis de crescimento dados ambientais acumulados ao longo de eras.
Alimentação e função ecológica
Diferentemente dos corais rasos que dependem de algas simbióticas para a produção de energia, os corais negros sobrevivem principalmente pela captura de zooplâncton. Seus tentáculos filtradores recolhem partículas em suspensão e, em alguns casos, também servem como mecanismo de defesa, por meio dos chamados tentáculos varredores que afastam organismos invasores.
A estrutura ramificada desses corais fornece abrigo para uma grande diversidade de vida marinha. Peixes, crustáceos e moluscos utilizam suas ramificações como refúgio e local de reprodução, formando verdadeiros “jardins” biológicos que sustentam cadeias alimentares inteiras em ambientes de águas profundas.
Reprodução e maturidade
A reprodução dos corais negros pode ocorrer tanto de forma assexuada quanto sexual. Muitas espécies são gonocóricas, o que significa que há colônias masculinas e femininas.
A maturidade reprodutiva, entretanto, é um processo lento.
Um exemplo emblemático é o da espécie neozelandesa Antipathella fiordensis que somente atinge a capacidade reprodutiva quando a colônia alcança cerca de setenta centímetros a um metro de altura, o que pode levar aproximadamente trinta anos. Após esse ponto, o ciclo reprodutivo tende a ocorrer anualmente.
Conservação e ameaças
A lentidão no crescimento e a idade avançada tornam os corais negros altamente vulneráveis a perturbações. Danos mecânicos, pesca de arrasto, coleta ilegal e alterações ambientais podem comprometer colônias que levarão séculos para se recuperar.
Por esse motivo, diversas espécies são regulamentadas por acordos internacionais como a CITES que monitora e controla o comércio de joias produzidas a partir de seus esqueletos escuros.
Ecologicamente, os corais negros são fundamentais porque formam estruturas tridimensionais que sustentam ecossistemas inteiros, especialmente em zonas profundas onde poucos organismos conseguem criar habitat físico.
Curiosidades
Os corais negros possuem relevância cultural em várias regiões do mundo. No Havaí, por exemplo, eles têm significado espiritual, sendo associados a proteção e força.
Quando polido, o esqueleto pode adquirir tonalidades que vão do preto ao dourado, o que historicamente despertou interesse na joalheria.
Além disso, sua extrema longevidade os transforma em verdadeiros arquivos ambientais que registram variações nas correntes oceânicas, na produtividade do mar e até em mudanças climáticas de longo prazo.





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