Ilha Anchieta – Ruínas com gritos do passado
- Thais Riotto
- 19 de jan.
- 3 min de leitura
Local: Ilha Anchieta (cerca de 8 km do continente e 213 km da capital), Ubatuba, SP

Entre as águas verde-esmeralda do litoral norte de São Paulo, existe uma ilha que parece suspensa entre o presente e o passado: a Ilha Anchieta.
É a segunda maior ilha do litoral paulista, parte do Parque Estadual da Ilha Anchieta (PEIA), que protege tanto a Mata Atlântica quanto as ruínas de um presídio antigo, palco de histórias de violência, rebelião e mistério.
Para quem visita, a ilha oferece uma experiência que mistura história intensa, beleza natural e uma aura sobrenatural que deixa qualquer turista com arrepios.
Arquitetura das Ruínas: Presídio e Vilas Fantasmagóricas
As ruínas da ilha são testemunhas silenciosas de um passado sombrio. Entre elas:
Pavilhões do presídio, com pátios retangulares e estruturas rígidas que parecem observar cada visitante.
Vilas de funcionários e militares, quartéis, fábrica de tijolos e colônia correcional.
Vestígios de ladrilhos hidráulicos e alvenarias antigas, algumas ainda preservadas em cozinhas e corredores.
Intervenções modernas com resinas, ancoragens e tratamento de madeira mantêm o local seguro para visitantes, mas não diminuem a sensação de abandono.
Caminhar por esses corredores é como atravessar o tempo: o vento parece sussurrar segredos, as paredes envelhecidas rangem, e cada sombra parece carregar o peso de quem já passou por ali.
História: Entre Catequese, Prisão e Rebelião
Antes de se tornar presídio, a ilha recebeu nomes como Ilha dos Porcos e “Pô-Quã”, referência aos seus dois morros. Durante o período colonial, abrigou indígenas e missões jesuíticas, servindo para catequese.
No início do século XX, a ilha tornou-se colônia correcional/presídio para criminosos perigosos, ganhando notoriedade pela repressão rígida e rebeliões.
Em 1934, recebeu o nome de Ilha Anchieta, em homenagem ao padre José de Anchieta.
O presídio funcionou até meados dos anos 1950 e foi palco da rebelião de 1952, considerada uma das mais violentas do sistema prisional brasileiro:
129 presos fugiram;
6 nunca foram recapturados;
118 mortos no confronto.
Em 1977, a ilha passou a ser oficialmente parque estadual, preservando tanto ecossistema quanto memória histórica.
Eternos Moradores
O passado sangrento da ilha deixou marcas que, dizem os moradores e visitantes, ainda não foram apagadas:
Vozes e gritos de antigos presos são ouvidos por alguns turistas, especialmente próximos aos pavilhões.
A rebelião de 1952 e as mortes violentas contribuem para a fama de “mal-assombrada”.
Algumas trilhas e áreas de ruínas são descritas como locais de energia pesada, onde visitantes sentem desconforto, frio súbito ou a sensação de estarem sendo observados.
Os relatos variam: passos no corredor, sombras fugidias, sussurros indecifráveis… e a sensação de que, a qualquer momento, alguém do passado pode cruzar seu caminho.
A Ilha Anchieta combina história, natureza e mistério:
Ruínas únicas de presídio do início do século XX, pouco comuns no turismo convencional.
Trilhas em meio à Mata Atlântica, praias isoladas e paisagens de tirar o fôlego.
Experiência de turismo histórico e paranormal, que atrai curiosos, aventureiros e investigadores de mistérios.
Cuidados:
Algumas áreas estão fechadas ou requerem guia, especialmente nas ruínas em restauração.
Ambiente natural + histórico exige bom calçado, água e atenção ao terreno.
A reputação de assombração é baseada em relatos populares, experiências subjetivas podem ser intensas.
A Ilha Anchieta não é apenas um destino de ecoturismo: é uma viagem ao passado, onde cada pedra e cada sombra contam histórias de vidas interrompidas e vozes que ainda ecoam pelo tempo.
Quem ousa atravessar suas trilhas e explorar suas ruínas, talvez não volte do mesmo jeito…






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